Segunda-feira, 25 de Novembro de 2013

O ódio a Sócrates

Se não sabem eu explico, porque é que a direita fica azeda e odeia tanto José Sócrates. Experimentem introduzir um cavalo num curral cheio de burros e vão ver que todos o mordem e escoiçam. A inveja e a frustração de saber que nunca chegarão a cavalos provoca ódios e raivas. Enquanto uns ficam frustrados e raivosos, há outros que ainda dizem que aquele burro é esquisito, pois nem percebem que se trata não de um burro, mas dum cavalo.

 

Quando comecei a minha coluna semanal no Expresso, ainda Santana Lopes era primeiro-ministro e Sócrates concorria para o ser, o meu primeiro texto tinha como título "A coisa". Era sobre José Sócrates e o seu vazio ideológico e programático. Uma acusação, à altura, mais do que justa. Ao contrário de outros ex-primeiro-ministros, Sócrates fez-se ideologicamente no poder. Com várias guinadas ao longo de seis anos. Não apenas guinadas tácticas, bastante comuns em muitos políticos. Mas guinadas sinceras de quem estava a aprender o mundo enquanto governava.

Durante seis anos fiz-lhe oposição. E não me arrependo de a ter feito. Também o apoiei em várias medidas, como é evidente. Mas, acima de tudo, tratei sempre com cuidado os casos menos políticos em que o seu nome foi sendo envolvido. Na realidade, o mesmíssimo cuidado que tenho com todos os casos que surgiram com pessoas deste governo: não os deixo de tratar, exponho os factos conhecidos e retiro conclusões políticas. Com Sócrates, nuns casos fiquei esclarecido, noutros mantenho dúvidas. Numa análise a todas as acusações que lhe tinham sido feitas conclui, em fevereiro de 2010: "No meio desta histeria, que torna o debate político insuportável - é já quase sinal de cedência escrever sobre qualquer outro assunto que não seja José Sócrates -, a falta de rigor e de apego à verdade de que o primeiro-ministro é acusado parece ter tomado conta do país inteiro. Interessa saber se José Sócrates fez o que se diz que ele fez. Mas, se não levarem a mal, a verdade dos factos pode, de vez enquanto, ter voto na matéria."  Sobre esses casos, podem ler texto que aqui refiro. Chega e sobra. Não é sobre eles que quero perder tempo.

 

É normal que se investiguem primeiros-ministros e dificilmente me veem a comprar a tese de cabalas e campanhas negras. Mas ninguém negará que nunca, sobre um governante, saíram tantas notícias sobre casos de forma tão insistente. Sobretudo não me lembro de terem sobrevivido tanto tempo a qualquer esclarecimento, bom ou mau. Compare-se o caso do Freeport - que durou anos - com o da Tecnoforma, que passou desapercebido a quase todos os portugueses. Acho que posso dizer com rigor, sem ter de tomar partido, que nunca um primeiro-ministro em Portugal foi tão atacado como José Sócrates. Nada escapou: da sua vida intima ao património da sua família, do seu percurso profissional e académico à forma como exerceu os seus cargos políticos anteriores. Até escutas ao primeiro-ministro a oposição de direita quis o país ouvisse, coisa que nunca alguém se atreveu a propor em qualquer outro caso. A verdade é esta: pequenos pormenores da vida de Sócrates ainda hoje vendem mais jornais do que venderia a biografia mais intima de Passos Coelho.

Porque gera tantos ódios José Sócrates? Os que o odeiam responderão com rapidez que faliu o país. Nessa não me apanham mesmo. Até porque a "narrativa" tem objetivos políticos e ideológicos que ultrapassam em muito a figura do ex-primeiro-ministro, o que revela até que ponto podem ser estúpidos os ódios pessoais de uma esquerda que, por mero oportunismo de momento, comprou uma tese que agora justifica todo o programa ideológico deste governo.

 

É pura e simplesmente falso que Sócrates tenha falido o país. E isto não é matéria de opinião. Sócrates faliu o país da mesma forma que todos os que eram primeiros-ministros entre 2008 e 2010 em países periféricos europeus o fizeram. Até 2008 todos os indicadores financeiros do Estado, a começar pela dívida pública, e todos os indicadores da economia seguiam a trajetória negativa que vinha desde a entrada de Portugal no euro (ou até desde o início da convergência com o marco, que lhe antecedeu), verdadeiro desastre económico que ajuda a explicar uma parte não negligenciável da situação em que estamos. A narrativa que esta crise se deve ao governo anterior, além de esbarrar com todos os factos (o truque tem sido juntar o aumento da dívida anterior e posterior a 2008 e assim esconder a verdadeira natureza dessa dívida), esbarra com a evidência do que se passa nos países que estavam em situação semelhante à nossa e não tiveram Sócrates como primeiro-ministro. Posso escrever tudo isto com uma enorme serenidade: fui opositor de Sócrates e sempre disse o que estou a dizer agora.

Também nada de fundamental, até 2008, distinguia, para o mal e para o bem, os governos de Sócrates dos anteriores.
 O que era diferente correspondia às pequenas diferenças entre os governos do PS e do PSD, que já poderiam ter sido detectadas em Guterres. O que era igual, conhecemos bem e podemos identificar em Barroso, Guterres ou Cavaco. Em todos eles houve decisões financeiras desastrosas - das PPP à integração de fundos de pensões privados na CGA, da venda ruinosa de ativos a maus investimentos públicos. Em todos eles houve interesses, tráficos de influências, mentiras, medidas demagógicas e eleitoralistas. Sócrates foi apenas mais um.

Há uma parte deste ódio que surgiu à posteriori (sim, vale a pena recordar que Sócrates venceu duas vezes as eleições). Perante a crise, o país precisava de encontrar um vilão da casa. Como escrevi, irritando até muitas pessoas de esquerda, em Outubro de 2010, ainda Sócrates era primeiro-ministro: "São sempre tão simples os dilemas nacionais: encontra-se um vilão, espera-se um salvador. Sócrates foi um péssimo primeiro-ministro? Seria o último a negá-lo. Mas, com estas opções europeias e a arquitetura do  euro, um excelente governo apenas teria conseguido que estivéssemos um pouco menos mal. Só que discutir opções económicas e políticas dá demasiado trabalho. Discutir a Europa, que é 'lá fora', é enfadonho. É mais fácil reduzir a coisa a uma pessoa. Seria excelente que tudo se resumisse à inegável incompetência de Sócrates. Resolvia-se já amanhã." O único acerto a fazer é que, perante este governo, a avaliação de incompetências passou para um outro patamar. 


Sócrates acabou por servir, nesta crise, para muitas cortinas de fumo. A de quem quis esconder as suas próprias responsabilidades passadas. A de quem queria impor uma agenda ideológica radical e tinha de vender uma "narrativa" que resumia a história portuguesa aos últimos 9 anos e esta crise a um debate sobre a dívida pública. E a de quem, sendo comentador, economista ou jornalista, e tendo fortes limitações na sua bagagem política, foi incapaz de compreender a complexidade desta crise e optou por uma linha um pouco mais básica: o tiro ao Sócrates. Não lhes retiro o direito ao asco. Eu tenho o mesmo pelo atual primeiro-ministro. Mas não faço confusões e já o escrevi várias vezes: Passos sai, Seguro entra e, se não houver um enfrentamento com a troika, fica tudo exatamente na mesma. Porque o problema não é exclusivamente português e, mantendo o país no atual quadro europeu, depende muito pouco do nosso governo.

 

Há outra explicação para o ódio que Sócrates provoca. As novas gerações da direita portuguesa são, depois de décadas na defensiva, de uma agressividade que Portugal ainda não conhecia. A que levou à decapitação da direção de Ferro Rodrigues, através do submundo da investigação criminal e do submundo do jornalismo, representado, desde sempre, pelo jornal "Correio da Manhã". A mesma que tratou de criar um cerco de suspeição que transformou, durante seis anos, a política nacional num debate quase exclusivamente em torno do carácter do primeiro-ministro. Um primeiro-ministro que, como tantos políticos em Portugal, se prestou facilmente a isso. Um cerco que fez com que poucos se dessem ao trabalho de perceber o que estava a acontecer na Europa desde 2008 e como isso viria a ser trágico para nós. Andávamos entretidos a discutir escutas e casos.

Foi esta direita que, irritada pela iminência de perder prematuramente o poder que tinha reconquistado há apenas três anos, espalhou o boato sobre a suposta homossexualidade de Sócrates. Pedro Santana Lopes veio, em reação à entrevista de Sócrates ao EXPRESSO, dizer que essa campanha vinha do PS. Tenho boa memória e recordo-me das indiretas no debate entre Santana e Sócrates, na SIC. Lembro-me também de Santana ter passado uma campanha a insistir para que Sócrates tomasse posição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando isso ainda nem era debate e sabendo-se o boato que corria. Lembro-me ainda de, num inédito mas muito conveniente comício de mulheres do PSD, em Famalicão, em plena campanha, uma ter dito isto: "Ele [Santana] ainda é do tempo em que os homens escolhiam as mulheres para suas companheiras... bem hajam os homens que amam as mulheres!" E de, entusiasmado, Santana Lopes ter rematado, em declarações aos jornalistas: "O outro candidato [Sócrates] tem outros colos, estes colos sabem bem". Todos sabem como Santana importou, através de um publicitário brasileiro, uma determinada forma de fazer política. Felizmente, como se viu pelo seu resultado, não funcionou.

 

Goste-se ou não do estilo, Sócrates é, muitas vezes, de uma violência verbal inabitual em Portugal. Ele é, como se definiu na entrevista a Clara Ferreira Alves, anguloso. E voltou a prová-lo, nesta conversa, de forma eloquente. Num País habituado a políticos redondos isso choca Ainda mais quando se trata de um líder do centro-esquerda, por tradição cerimoniosa e pouco dotada de coragem política. Sócrates, pelo contrário, tem, e isso nunca alguém lhe negou, uma extraordinária capacidade de confronto e combate. O estilo público de Guterres, Sampaio, Ferro Rodrigues e Seguro (muito diferentes entre si em tudo o resto) é aquele com o qual a direita gosta de se confrontar. A aspereza de Sócrates deixa-a possuída, irritada, quase invejosa. A ele não podiam, como fizeram com Guterres, acusar de indecisão e excesso de diálogo. Sócrates acertou na mouche: ele é o líder que a direita gostaria de ter. 

Também a maioria dos portugueses tende a gostar de um estilo autoritário, mas sonso, que nunca diz claramente ao que vem, de que Cavaco Silva é talvez o exemplo mais acabado. Diz-se, ou costumava dizer-se, que Cavaco é previsível. Mas ele não é previsível por ser fiel às suas convicções, que nós desconhecemos quais sejam. É previsível porque quer sempre corresponder ao arquétipo do político nacional: moderado, ajuizado, prudente, asceta e severo. Apesar de, na realidade, no seu percurso cívico e político pouco ou nada corresponder a estas características. Pelo contrário, Sócrates corresponde, na sua imagem pública, ao oposto de tudo isto.

Não é o primeiro político português a fugir ao modelo do líder austero e sacrificado, que Salazar impôs ao imaginário nacional e que Cunhal, Eanes, Cavaco ou Louçã acabaram por, mesmo que involuntariamente, reproduzir. Já Soares fugira desse estilo e

 

se apresentara emotivo, imprevisível e bon vivant. O que mudou desde então? Tudo. A exposição pública, o escrutínio da imprensa, o poder de disseminação do boato. Ainda assim, arrisco-me a dizer que se há um político português vivo que consegue arrebatar mais paixões, sejam de amor ou de ódio, do que José Sócrates ele é Mário Soares. À sua direita e à sua esquerda.

Mas há uma enorme diferença entre Soares e Sócrates: o estatuto. Que resulta da idade, do currículo político e do tempo histórico em que foram relevantes. E, para tentar resumir, é esta diferença que ainda faz Sócrates correr. Acho que ele não se importa nada de ser odiado pela direita e por parte da esquerda. O que o incomoda é isso não corresponder a um papel histórico que, mal ou bem, lhe seja reconhecido. É não ter atingido um estatuto em que ser odiado por muitos não só é normal como recomendável. No fundo, move-se pelo mesmo que todos os políticos que ambicionaram mais do que uma pequena carreira: o sonho da imortalidade. E essa é, entre outras, uma das razões porque não compro o retrato do pequeno bandido que enriqueceu com uns dinheiros dum outlet em Alcochete. Parece-me que a sua ambição é muito maior. Por isso, façamos-lhe justiça de acreditar que também serão maiores os seus pecados.  

Fonte: Expresso/Daniel Oliveira

publicado por zefernando às 00:03

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Quinta-feira, 21 de Novembro de 2013

A indústria da caridade! - Gato escondido com o rabo de fora…

A caridadezinha burguesa, para além de outros objectivos, visa sobretudo adormecer e inibriar a consciência dos trabalhadores e do povo quanto às verdadeiras causas das condições de fome e de miséria para que foram atirados por um sistema que assenta na exploração do homem pelo homem e no sacrossanto lucro.

Num momento em que, fruto das consequências decorrentes das crises económicas e financeiras do capitalismo, em que a planificação económica não se baseia nas necessidades do povo, mas tão só nos lucros que os detentores do capital e dos meios de produção poderão obter – nem que para tal tenham de morrer milhões de trabalhadores em todo o mundo –, logo aparece um batalhão de “piedosas” almas, as Jonets, as “santas” casas disto e daquilo, as “caritas”, muito afogueadas, a organizar peditórios para tudo e mais alguma coisa, dizem eles que para “aliviar” o sofrimento dos “pobres da terra”.

Se é certo que milhares de voluntários se prestam a dar a sua genuína e generosa solidariedade, participando activamente em todos esses peditórios – deste os “bancos alimentares” à recolha de vestuário, passando por fundos para tudo e mais alguma coisa -, não menos certo é que quem se apropria da direcção e destino do resultado dos mesmos tem uma agenda ideológica que assenta no pressuposto de “desculpabilizar” o sistema que cria as condições de fome e miséria pelas quais o povo está a passar.

Isto, para além de o controlo da esmola ser por si um instrumento de poder e dominação.

E o que dizer, então, da suprema hipocrisia que é o facto de campanhas como as do “Banco Alimentar contra a Fome”, entre outras, serem ansiosamente aguardadas pelos “Pingos Doce” e “Continentes” do nosso descontentamento, que vislubram nas mesmas uma receita adicional para os seus já abarrotados cofres e para as suas já gordas fortunas?!

Quer as grandes cadeias de supermercados – que, logicamente, se “disponibilizam” de imediato para aderir a estas campanhas – quer o estado que defende os seus interesses arrecadam, os primeiros, fabulosos lucros pela venda dos produtos generosamente adquiridos por quem, de facto, quer ser solidário, e os segundos, impostos directos como e IVA e indirectos como o IRC. Contas feitas, neste negócio da caridadezinha, ao destinatrio da mesma, se chegarem uns míseros 20 ou 30% do resultado das mesmas já estão com muita “sorte”, enquanto o estado burguês e os grandes grupos económicos que exploram essas grandes superfícies, abocanham mais de 80%!

Àqueles mais “piedosos” que, ainda assim, poderão dizer que, então, se não organizarmos este tipo de campanhas é que milhares ou centenas de milhar poderiam morrer à fome, nós respondemos que não é com aspirinas que se curam cancros. O cancro do capitalismo que, ciclicamente, provoca a destruição massiva das forças produtivas e atira para o desemprego, a fome e a miséria, somente em Portugal, mais de 3 milhões de elementos do povo, nunca será ultrapassado com este tipo de paliativos!

A solidariedade operária é bem diversa da “caridadezinha” burguesa. Basta atentar no exemplo da campanha de recolha de fundos levada a cabo pelos operários mineiros britânicos para ajudarem os seus irmãos de classe das minas de carvão em Espanha, particularmente os das minas das Astúrias, que entraram em greve contra a política do governo espanhol de seguir servilmente os ditames do directório europeu em encerrar as mesmas e lançar milhares de mineiros no desemprego, sem outra alternativa que não fosse a fome e a miséria para os mesmos e as suas famílias.

A sua cura, em Portugal, passa pelo derrube de um governo de traição que se prestou a ser um serventuário obediente dos ditames da tróica germano-imperialista, passa pela constituição de um governo democrático patriótico que nacionalize todas as empresas e sectores de importância estratégica para um novo paradigma de economia, ao serviço do povo e de quem trabalha, um governo que recupere o tecido produtivo que foi destruído à custa de uma política vende-pátrias levada a cabo por sucessivos governos do PS e do PSD, por vezes acolitados pelo CDS.

Um governo que tenha a coragem de expulsar do nosso país a tróica germano-imperialista, que tenha a coragem de colocar o sector bancário sob controlo do estado, um governo que imponha sem hesitações a suspensão, no mínimo, do pagamento da dívida e dos juros dela decorrentes, um governo que tenha o discernimento e a coragem de preparar o país para a saída do euro se tal se impuser como indispensável para a defesa da nossa soberania nacional e o bem estar do povo.


publicado por zefernando às 23:27

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Defender a “renegociação da dívida” é fazer o jogo do governo e da tróica

Em conferência de imprensa realizada há dias no parlamento sobre o Orçamento de Estado para 2014, o deputado do PCP Paulo Sá, referindo-se a uma proposta do seu partido de incluir na lei do orçamento o princípio de limitar o montante de juros a pagar respeitantes à dívida pública a 2,5% do valor das exportações, e à consequente necessidade de renegociar a dívida com os credores, afirmou a dado passo o seguinte:
Tal limitação, correspondente em 2014 a 1.660 milhões de euros, assegura que o país paga a dívida pública sem empobrecer, à medida das suas reais possibilidades”.

Temos assim que, do montante exorbitante de 7.239 milhões de euros de juros da dívida previstos no OGE para 2014, o PCP propõe que se pague ordeiramente 5.579 milhões de euros e que se renegoceie o pagamento do restante, sempre dentro do princípio de que os compromissos da dívida são para cumprir.

Para além de representar uma lamentável subserviência perante a agiotagem da banca, esta posição do deputado do PCP escamoteia o facto de a dívida pública ser o principal instrumento de que dispõe o grande capital financeiro e o imperialismo internacional para empobrecer o povo e de que não há forma de romper com esta situação a não ser quebrando e deitando pela borda fora esse instrumento. Pagar a dívida e pôr fim ao processo de empobrecimento do povo é uma contradição nos termos e defendê-lo, como faz o PCP, significa iludir o povo e perpetuar o actual estado de coisas.

Com efeito, a renegociação do pagamento da dívida “nos juros, prazos e montantes”, como diz o PCP (e repete, exactamente com as mesmas palavras, o BE), é algo que serve os credores e o grande capital e, mais tarde ou mais cedo, irá acontecer pela mão dos lacaios destes que estão no governo, pelo simples facto de a actual dívida pública ser impagável. Depois de tal renegociação, todos os mecanismos de saque dos recursos do país e dos rendimentos do povo trabalhador que a mesma se destina a assegurar continuarão de pé e serão reforçados, designadamente por via do alargamento dos prazos para o seu pagamento e do prolongamento e agravamento das ditas medidas de austeridade que virão associados.

Bem pode o deputado do PCP dizer, como disse, que na mencionada renegociação se deve exigir a redução das taxas de juro e dos montantes da dívida, que tal não passa de um voto piedoso sem consequências. Primeiro, porque um alargamento dos prazos de pagamento da dívida já implica normalmente uma redução dos juros, sempre com vantagem para os credores. Segundo, porque a redução do montante da dívida, ou corresponde a um perdão parcial que é do interesse dos credores e reforça a sua posição, como sucedeu com a Grécia em 2011, ou terá de implicar a rejeição do pagamento desse montante, posição que o PCP se recusa a assumir. Na verdade, não há forma de impor à banca o não pagamento de uma parte da dívida fora de uma firme posição de princípio de repúdio de toda a dívida.

Quase na mesma altura em que o PCP realizava a sua conferência de imprensa no parlamento em defesa da renegociação da dívida, um antigo ministro da Economia do PS, Daniel Bessa, propugnava também, num congresso de economistas, que é urgente renegociar a dívida pública já que a mesma, tal como está, não pode ser paga. Defensor incondicional do grande capital financeiro, o Bessa disse aquilo que todos os que se encontram do seu lado da barricada sabem ser inevitável. É claro que a nova medida terrorista que ele sugeriu como gesto de vassalagem perante os imperialistas alemães a quem eventualmente será apresentada a proposta de renegociação – o lançamento de um “imposto pesado” sobre todos os depósitos bancários, sem excepção, o que atingirá sobretudo os pequenos depositantes, que são os que não conseguem retirar o seu dinheiro dos bancos – não é proposto por outros defensores da mesma, como é o caso do PCP ou do BE. Mas a verdade é que na “noite” da dita renegociação todos os gatos são pardos e o resultado da mesma traduzir-se-á sempre num reforço da exploração e do massacre sobre o povo trabalhador.

A pedra-de-toque que permite delimitar os campos na actual luta pelo derrube do governo de traição nacional Coelho/Portas e pela expulsão da tróica germano-imperialista é a posição face à dívida pública. “Não pagamos!” é a palavra-de-ordem central que tem de unir as amplas massas trabalhadoras e todos os sectores, partidos, movimentos e personalidades democráticos e patrióticos. A anulação ou, pelo menos e em termos imediatos, a suspensão do pagamento da dívida é a posição de princípio com base na qual se terá de constituir uma alternativa ao governo fascista de traição nacional PSD/CDS.

publicado por zefernando às 23:23

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O Abominável César das Neves!

Não é de agora e nunca há-de deixar de ser um meio a utilizar pelo governo de traição nacional. Quando está prestes a impor ou a justificar mais algumas das suas medidas terroristas e fascistas contra o povo e quem trabalha, utiliza uns grilos falantes para produzir afirmações que considera ainda não ter reunidas as condições para ser Coelho ou Portas a produzir.

Desta feita a encomenda foi atribuida a um dos seus ideólogos preferidos, o famigerado e abominável João César das Neves.

Numa entrevista conjunta que deu à TSF e ao Diário de Notícias, jornal onde costuma bolsar as suas miseráveis e cobardes provocações sobre o povo e quem trabalha, pois sabe que o povo não terá o direito de resposta, esta personagem que se arroga economista, liberal e católico veio produzir afirmações falsas sobre a situação dos reformados e das reformas em Portugal e sobre o salário mínimo nacional, cujo aumento é de há muito uma exigência – embora que tímida e insuficiente – das duas centrais sindicais –CGTP e UGT – e dos trabalhadores que estas representam.

Ao referir-se aos reformados, esta besta que lecciona na Universidade Católica, arrogou-se o direito de afirmar que a “maior parte dos pensionistas não são pobres”, mas apenas “…fingem-no”!!! Os factos, porém, estão aí para o desmentir:

• É inferior a 419€ mensais o valor da reforma auferido por cerca de 64% dos pensionistas, sejam eles da Segurança Social ou da Caixa Geral de Aposentações (CGA).

• Se neste escalão considerarmos aqueles que recebem até 750€, a taxa sobe para os 77,3%.

Quanto ao salário mínimo, o personagem em questão vai mais longe, considerando que, num quadro de desemprego tão vasto como o que se observa, exigir que este seja aumentado de 485€ para 515€, isto é, 30€ euros de aumento mensal (ou 1€ diário) , é “criminoso”!

Ou seja, quanto a esta abominável criatura, já não será criminoso os valores que actualmente se praticam e que não asseguram sequer aquilo que os capitalistas costumam reservar para a manutenção – habitação, alimentação, vestuário, transportes, saúde, educação, etc. – e reprodução da força de trabalho. Números e valores que consubstanciam o programa de empobrecimento que este governo, ao serviço dos interesses dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais europeus – com os alemães à cabeça – persiste em levar a cabo.

Tanto mais provocatória é esta afirmação quando, dias antes foi dado a conhecer um estudo do Credit Suisse, assinalando que o número de milionários tinha crescido em Portugal e que 870 deles eram detentores de rendimentos equivalentes a cerca de 45% do valor do Produto Interno Bruto (PIB), isto é, quase metade do valor de tudo o que produzido pelos trabalhadores portugueses!

Esmagadora maioria de trabalhadores esses que, ou vivem do salário mínimo, ou – no caso dos precários, falsos recibos verdes, etc. – abaixo desses valores. Salários e rendimentos que os remetem para a condição de pobreza ou limiar da pobreza e os obrigam a recorrer ao negócio da caridade!

Claro está que o que, a mando do governo de serventuários da tróica germano-imperialista, grilos falantes, provocadores profissionais, como João César das Neves visam escamotear, é o facto de que, em nome do pagamento de uma dívida que não contraiu, e da qual não retirou qualquer benefício, o povo e quem trabalha vê serem assaltadas as suas já magras pensões e reformas – para as quais descontaram uma vida inteira de trabalho –, vê roubados os seus salários e o seu trabalho.

Enquanto, no extremo oposto, os 870 milionários a que fazemos referência mais acima, não cessam de encher os bolsos à custa dos faraónicos juros que a dívida proporciona e de toda a sorte de isenções fiscais – como é o exemplo do IMI em relação aos fundos imobiliários -, em contraponto com o genocídio fiscal que este governo de traição nacional Coelho/Portas sujeita o povo português.

Este abominável César das Neves terá o mesmo destino dos seus patrões: a defenestração! O povo, os trabalhadores em geral, os democratas e patriotas, os intelectuais, a juventude estudantil e trabalhadora, saberá unir-se em torno de um programa comum que passa pelo derrube deste governo e a constituição de um governo democrático patriótico que se recusará a pagar esta dívida e preparará a saída de Portugal do euro e da União Europeia.

publicado por zefernando às 23:20

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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

Governantes PSD FILHOS DA PUTA

Fundo europeu ajudou mais de 15 mil desempregados em 2012. "Portugal não se candidatou"

UE investiu mais de 73 milhões para auxiliar trabalhadores em 11 Estados-membros. Fonte do Governo diz que mudanças na configuração do fundo justificam a inexistência de candidaturas portuguesas.

A União Europeia ajudou no ano passado cerca de 15.700 trabalhadores despedidos. Portugal não foi abrangido pelos apoios, porque não apresentou qualquer candidatura ao fundo europeu de ajustamento à globalização (FEG), que disponibilizou as verbas.

Fonte do Governo refere à Renascença que Portugal não apresentou candidaturas em 2012 devido a uma mudança no regulamento do fundo. Segundo a referida fonte, o objectivo inicial do FEG, criado em 2007, era providenciar apoio aos trabalhadores despedidos devido a "mudanças estruturais nos padrões do comércio mundial causados pela globalização". Em 2009, prossegue a mesma fonte, "foi aprovada uma revisão do regulamento", que passou a apoiar quem fosse despedido "em consequência directa da crise económica e financeira". "Esta derrogação temporária terminou a 30 de Dezembro de 2011, com a oposição nacional", acrescenta a fonte governamental.

"Com o fundo limitado de novo à globalização, Portugal não apresentou no ano de 2012 candidaturas, porque a crise económica e financeira justificou a maior parte dos despedimentos em Portugal", justifica a fonte governamental, que afirma que os apoios a quem seja despedido devido à crise financeira regressam em 2014 e permanecem até 2020.

Portugal apresentou cinco candidaturas entre 2007 e 2011. Neste período, recebeu 7,8 milhões de euros, aos quais se juntam 5,7 milhões de contrapartida nacional (de acordo com as regras do FEG, os Estados-membros candidatos têm de entrar com parte significativa do dinheiro pedido para apoiar os desempregados).


Itália, Espanha e Alemanha entre os países apoiados
A União Europeia investiu mais de 73 milhões de euros em 2012 no âmbito deste fundo, dinheiro que serviu para auxiliar trabalhadores em 11 Estados-membros: Áustria, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Roménia, Espanha e Suécia.

Na apresentação dos números, o comissário europeu do Emprego, Laszlo Andor, disse esta quinta-feira que o fundo provou ser um instrumento eficaz para ajudar as pessoas que perderam os postos de trabalho, sobretudo entre grupos desfavorecidos e com poucas qualificações. 

Laszlo Andor congratulou-se pelo prolongamento do fundo de ajustamento à globalização até 2020, para continuar a ajudar os trabalhadores despedidos em resultado da crise económica. O comissário adianta que o FEG vai, a partir de agora, estar disponível para trabalhadores com contrato a termo, trabalhadores por conta própria e para regiões com uma taxa de desemprego jovem muito elevada.

Este instrumento comunitário arrancou em 2007. Até Agosto deste ano, registaram-se 110 candidaturas de 20 Estados-membros, que solicitaram cerca de 471,2 milhões de euros para ajudar 100 mil trabalhadores.

 

Fonte: Rádio Renascença

publicado por zefernando às 21:37

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Passos Coelho no Congresso das Comunicações: O desespero de um traidor

governo para a rua

O desespero está definitivamente instalado em S. Bento. Um dos líderes do governo de traição nacional, Passos Coelho – no que é secundado pelos outros dois, Cavaco e Portas – num discurso proferido esta 4ª feira na abertura do Congresso das Comunicações, realizado em Lisboa, veio lançar um tão pungente quão dramático apelo à formação de “uma grande coligação entre todos os agentes, entre todos os portugueses”, que assegure a prossecução do espírito reformista, mesmo após o período que, abusivamente, consideram de pós-tróica.

A que se deve este desespero? Ao facto de este governo e os seus ministros, apesar da intensa e manipuladora campanha dos oito dias, oito sucessos económicos, prenunciadores do milagre económico que desejam fazer passar para a opinião pública e a opinião publicada, saberem que o processo de ajustamento no qual assenta o Memorando de entendimento que PS, PSD e CDS assinaram com a tróica germano-imperialista, não só não ter resolvido a questão do défice e da dívida como, bem pelo contrário, ter agravado todos os seus índices.

Todo este discurso prende-se, também, com a ida e respectivo discurso de Passos Coelho na sede do CES (Conselho da concertação social) onde, em resposta à crescente reivindicação do aumento do salário mínimo nacional, a posição deste foi a de não aumentar o salário mínimo nacional, não deixando de ir à concertação prometer ponderar a eventualidade de lá para 2014 - sem compromisso - se mexer no salário mínimo. Mas sempre com a contrapartida de a concertação - leia-se traição - se estender ao resto do programa de fome já adoptado.

Por outro lado, o que estes serventuários pretendem alcançar com esta ampla coligação é a continuidade, para além de Junho de 2014, data acordada para o termo do programa de ajustamento, do efeito das medidas terroristas e fascistas que têm vindo a impor aos trabalhadores e ao povo português. Ora, na perspectiva desta gente, a reforma que pretendem assegurar tem de entrar em efectividade nos próximos 7 meses…e o tempo urge!

Quando falam de espírito reformista, o que estes traidores ao serviço dos interesses dos grandes grupos financeiros, bancários e industriais europeus, sobretudo alemães, estão a defender é que medidas que consubstanciam um ataque sem precedentes ao acesso do povo à saúde, à segurança social, à educação, a um transporte público de qualidade, percam a sua anunciada natureza provisória para passarem a ser definitivas, assim como, outras tantas medidas que se estão a traduzir no roubo do salário e do trabalho.

Acontece que esta canalha sabe que esse espírito reformista só poderá ser alcançado com o beneplácito do PS e de Seguro para se ultrapassarem algumas barreiras, frágeis que sejam, que a Constituição ainda vai colocando à execução dessas medidas terroristas e fascistas, tal como aconteceu no OE de 2013 e, tudo indica, virá a acontecer na Lei Geral do Orçamento de estado para 2014, aprovada na generalidade no parlamento.

E sabe, também, que a pseudo oposição firme e decidida de Seguro a este governo não passa de puro oportunismo eleitoral, pois quer o PS, quer o PSD ou o CDS, estão indelévelmente associados às pretensões e interesses que a tróica germano-imperialista deseja impor ao povo português e a quem trabalha. Daí o cortejar intenso que fazem à actual direcção do PS! Uma tentativa desesperada de quebrar as últimas e ténues resistências da virgem dama a um namoro prolongado!

Para os que ainda tiverem dúvidas àcerca da natureza do PS e de Seguro, veja-se o que se passa em França com osocialista François Hollande! Depois de promessas de oposição a Merkel e ao seu programa de colonização da Europa, depois de soluções que passariam pela implementação do crescimento e do emprego, veja-se a contestação crescente naquele país às políticas que este está a seguir e que, afinal, em nada diferem das que o salta-pocinhas Nicolas Sarkozy,valet de chambre de Merkel, aplicava. A avaliar pelo basbaque apoio que Seguro lhe deu durante o período eleitoral em França, podemos inferir do que esta gente tem para proporcionar ao povo e quem trabalha, assim venha a alcançar de novo o poder.

É preciso agarrar o futuro com as duas mãos, clama Passos Coelho. Tem toda a razão! Se para esta gente, o futuro é a continuação da destruição do que resta do tecido produtivo, a venda a pataco do que sobrou de empresas e activos estratégicos, o arrasar de todas as conquistas – no campo da segurança social, da educação, da saúde, da protecção no trabalho, etc. - , então faz sentido este apelo à união nacional de toda a contra-revolução!

Como faz sentido- pois a luta de classes continua a ser o motor da história -, que se construa uma ampla frente das camadas populares, dos trabalhadores, dos democratas e patriotas, dos intelectuais e da juventude estudantil e trabalhadora, para derrubar este governo de traidores e o seu mentor Cavaco e constituir um governo democrático patriótico que se recuse a pagar uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício.

E, se o tempo urge para este governo de traição nacional impor as reformas que melhor sirvam os seus patrões da tróica germano-imperialista, também urge para os trabalhadores e o povo português que devem exigir das organizações sindicais, dos partidos que reclamam defender os seus interesses, das plataformas sociais e de todos os democratas e patriotas, com ou sem filiação partidária, a organização, mobilização e direcção de todas as greves gerais que forem necessárias, pelo tempo que for necessário, até ao derrube deste governo e do seu programa de empobrecimento do povo português e liquidação da independência e soberania de Portugal.

publicado por zefernando às 21:06

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Sexta-feira, 25 de Outubro de 2013

A minha querida filha Sofia

publicado por zefernando às 21:17

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Segunda-feira, 3 de Junho de 2013

Secretário de Estado Sérgio Monteiro dá de frosques

Esta manhã os trabalhadores do Metro e da Carris calaram o secretário de estado Sérgio Silva Monteiro e expulsam-no do auditório do Alto dos Moinhos.

A pouco e pouco estas BESTAS vão sendo escorraçadas. Venha a próxima BESTA!


publicado por zefernando às 23:22

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Terça-feira, 21 de Maio de 2013

I. S. C. Sobreirense - Nova Direcção

Faço votos de que tudo corra pelo melhor, mas aconselho a que todos os sobreirenses estejam vigilantes. É de desconfiar quando se vê a maçã podre no cimo do cesto. Mas espero estar enganado, para bem do Sobreirense.
publicado por zefernando às 23:40

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Quarta-feira, 7 de Novembro de 2012

O POVO VIVEU ACIMA DAS SUAS POSSIBILIDADES ???

 Não me fecundem... porque fodido ando eu!

 

O Zé do Tijolo resolveu fazer uma vivenda . Com as poupanças de uma vida de trabalho e uns dinheiritos que recebeu da herança dos seus sogros satisfez o sonho compartilhado com a mulher.

Pagou 23 % de IVA sobre os materiais , pagou as certidões das Finanças e da Conservatória , pagou o Imposto de Transacções , pagou o imposto de selo , pagou a Escritura e respectivo registo, pagou a ligação da água e da electricidade , pagou à Câmara as licenças, etc. etc. etc.

 

Apesar de ter perdido tanto tempo para pagar todos estes impostos ao Estado e de ter de pagar ainda durante toda a vida uma renda chamada IMI ,ficou de sorriso rasgado ao olhar para a sua bela casinha. O seu esforço , os muitos sacríficios e privações tinham valido a pena : tinha um teto a que podia chamar seu...

 

Qual não é o seu espanto quando ouve um comentador de economia na TV, sujeito engravatado e bem falante, dizer o seguinte : - o país está nesta grave crise porque os portugueses gastaram demais , construíram demasiadas moradias, por isso os sacrifícios impostos pela Troika , blá, blá, blá...

 

Zé do Tijolo sentiu-se um Zé do Calhau ! Sempre tinha pensado que tinha feito a sua casinha com o seu próprio dinheiro e nem um tostão tinha pedido ao Estado ! Era tão idiota , tão imbecil que chegara mesmo a pensar , dada a enorme panóplia de impostos que tinha liquidado ao Estado, que esse mesmo Estado devia estar agradecido pela sua contribuição.

Este importante catedrático de economia veio-lhe abrir os olhos. Afinal o dinheiro que tinha penosamente poupado ao longo da vida não era seu...nem o dinheiro da herançazita ...porque se fosse realmente seu como poderia ser responsável pela crise do país ?

Zé do Tijolo sentiu uma enorme vergonha e remorso por ter feito o imóbil e ter dado trabalho e dinheiro a ganhar a tantas artes, provocando , segundo a tal sumidade catedrática , a bancarrota do seu país adorado.

 

O sorriso rasgado do Zé do Tijolo transformou-se num esgar : era ladrão... tinha roubado a pátria lusa e vivido acima das suas possibilidades...!?!?

 

O Manel Fangio vestiu-se com primor . Pegou no filho de 18 meses ao colo e acompanhado da mulher dirigiu-se ao Stand no centro da cidade. Ia ansioso e não via a hora de sentar o seu fiofó naquele sonhado Renault Clio prateado . Deu um longo suspiro de satisfação. Não mais teria que conduzir a velha e ruidosa motorizada , com a proa empinada pelo peso dos nadegueiros roliços da companheira grávida , obrigando-o a um equilibrismo de artista circense. O pior era o inverno , chuva e gelo , quando tinha de levar e trazer o rebento do infantário . Cortava-lhe o coração sujeitar o filho a tais condições e tremia de medo só de imaginar um acidente, que andava sempre à espreita .

 

Águas passadas : agora tinha um popó que poderia chamar seu. Bem , não era mesmo seu porque pedira emprestado ao banco uma parte do dinheiro e só após 48 prestações mensais poderia ficar registado como sua propriedade. Manel Fangio , assinou ansioso os documentos: o ISV , o IVA, o IUC, o seguro e o registo provisório...

Agora era rodar a chave , parar na estação se serviço e abastecer de combustível . Ufa! Achou caro : o funcionário argumentou que sobre o preço do litro incidia um imposto para o Estado de 58 %, repartido pelo ISP e IVA. Bem...não havia nada a fazer : era pagar e "não bufar" porque se bufasse estava sujeito a acelerar a evaporação do precioso líquido.

Apanhou a SCUT e escutou nos pórticos um piar . Não, não era o chilrear de uma ave a repousar do vôo. Era a electrónica a zelar pelo erário público...

Enfim, chegou a casa. Ligou a "caixa que mudou o mundo" e escuta o perorar papagueado de um anafado comentador político , que dizia : - o país está na bancarrota porque o povo viveu acima das suas possibilidades reais , compraram-se muitas viaturas , agora é preciso pagar a factura e aceitar a austeridade , blá , blá , blá...

 

Manel Fangio escorregou do sofá . Tinha, de facto , pedido dinheiro ao banco para pagar o automóvel , tinha pago do seu bolso todos os impostos inerentes ao Estado , nunca lhe passou pela "cachimónia" ,nem se lembrava de ter pedido dinheiro ao dito Estado para comprar o veículo !!! Como poderia ser responsável pela crise do país ?

Bem...este lustroso político , licenciado em economia ainda muito jovem , com apenas 37 anos, possuidor de uma retórica invejável, não podia estar enganado...era um doutor...

O sorriso de satisfação do Manel Fangio murchou: era um corrécio...tinha esbulhado a ditosa pátria muito amada , levando com o seu escandaloso dislate rodoviário o país à ruptura financeira...

 

Os pecados implicam penitências. Manel Fangio e sua família , incluindo o rebento e o que estava para rebentar , teriam que pagar durante décadas e com "língua de palmo" pelo crime da exuberância de ter passado da motorizada para o Clio.

 

Como sou burro... jumento... asno...solípede...como sou cavalgadura...asinino..como sou jegue...azémola...alimária...como sou tudo isso e muito mais...e com a jeriquisse crónica de que sou feliz portador ou contemplado, pergunto :

- O Zé do Tijolo e o Manel Fangio pediram algum dinheiro ao Estado ?

- Viveram acima das suas possibilidades ou viveram com as suas possibilidades ?

- Como podem ser criticados ou responsabilizados pelos médias ( apetecia-me dizer merdas...) pela crise que o país atravessa ?

- O dinheiro não era deles ?

- Não podiam fazer com o seu dinheiro o que muito bem desejassem ?

- Não pagaram, para além disso , uma imensidade de impostos ? Em resumo: quando vejo os economistas residentes e afins ,a justificar a austeridade com o argumento de que o povo foi despesista ( para branquear a corrupção endémica dos políticos ) apetece-me mandá-los apanhar no subilatório...e só não mando porque não quero matar alguns com mimos...

 

Pensem nisto e deixem de me fecundar...porque fodido ando eu...

publicado por zefernando às 22:10

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